The “fucking” volcano

O relato a seguir aconteceu recentemente, na minha viagem pelo Panamá.. =)

Após um fim de semana sensacional nas ilhas de San Blás, no Caribe, resolvemos ir para Chiriquí, uma cidade do interior do Panamá, perto da fronteira com a Costa Rica.

A cidade é bem bacana. Tem um clima agradável das montanhas.. tudo que a gente precisava para descansar um pouco depois da maratona que tinha sido a última semana… até que…

Chegando no hostel que íamos ficar hospedados, encontramos duas americanas que estavam se preparando para ir ao topo do vulcão Baru, que fica a 3.500 mts de altitude. Estavam planejando sair no início da madrugada para chegar ao topo a tempo de acompanhar o nascer do sol e contemplar a bela vista, que permite (em determinadas épocas do ano) ver tanto o oceano pacífico quanto o atlântico. Depois de uma breve conversa, decidimos nos juntar a elas nessa que seria a maior cilada da minha vida.. rs

Motivados por uma reportagem que lemos na revista do avião sobre essa aventura até o topo do vulcão, saímos atrás dos equipamentos mínimos necessários para a escalada: lanternas noturnas e agasalhos, pois lá em cima a temperatura chega a estar abaixo de zero.. com a sensação térmica mais baixa ainda devido ao vento forte e constante. Chegando na loja indicada, percebemos que já estava fechada.  Pra mim aquele foi o primeiro sinal dos deuses dizendo: “cai fora que é furada”. Decidi não dar ouvidos à minha intuição e mesmo sem preparo algum decidimos acompanhar assim mesmo aquelas americanas ordinárias..

Pois bem.. saímos do hostal por volta das 11pm, em um táxi que nos levaria até a base do vulcão.. e dali até o topo seriam apenas 15 km de subida!! Não sei onde estava com a cabeça na hora para concordar com uma burrice dessas.. mas enfim..  voltando ao táxi.. além do pilantra ter atrasado o horário combinado e estar “furando o olho” das americanas no preço da corrida (que no fim das contas acabou sobrando pra gente), o chifrudo do taxista ainda levou um ajudante com ele, ou seja, eram 6 pessoas para entrar em um táxi imundo e caindo aos pedaços.. as esganadas já foram logo pulando para o banco de trás e meu colega foi no vácuo.. sobrou pra mim ir entalado no banco da frente junto com o retardado do ajudante do taxista.. pra mim aquilo foi o segundo sinal que a noite não seria nada interessante..

Após pagar a facada do preço da corrida, começamos a subida insana. No início estava tudo ótimo..  havia luz no caminho e conseguíamos pelo menos enxergar onde estávamos pisando. Por incrível que pareça, estava até suando.. o que me fez tirar a blusa que estava usando. Após alguns minutos chegamos na entrada do parque onde nos deparamos com a primeira placa da noite dizendo que faltavam “apenas” 13,5 Km para chegar ao topo.. a minha ficha caiu na mesma hora que uma chuva fria e fina começou a cair..

A minha vontade era voltar dali mesmo.. mas não queria estragar a festa do restante do pessoal, que estavam até “enganando bem”.. fingindo estar adorando a aventura..

Continuamos a subida.. não demorou muito para aparecerem os primeiros tombos.. =) A combinação escuridão + chão molhado é um ótimo convite para um traumatismo craniano gratuito. As retardadas que estavam com as lanternas não conseguiam se posicionar de forma a iluminar melhor o caminho para todos nós.. fazendo com que andássemos no breu completo.. de imediato veio à minha cabeça aquele famoso ditado: “mineiro não pisa no molhado.. muito menos no escuro”.. acredito que no meio desse pensamento fui ao chão pela primeira vez.. não foi nada grave.. só pensei mesmo na calça jeans nova e meu tênis branco que eu estava destruindo em um programa estúpido..

A chuva foi apertando.. o frio nem se fala.. e aí veio à minha cabeça uma segunda frase, da época da faculdade: ” não há nada tão ruim que não possa ficar pior”.. e aquela noite desgraçada foi a prova disso. Na primeira parada, percebemos que havíamos esquecido duas garrafas de água, das quatro que havíamos comprado.. sem falar nas barras de cereais..  estávamos looooonge da metade da subida e eu já tinha chapado mais da metada da minha garrafa. O sentimento de estar completamente fodido aquela noite se tornou realidade naquele momento..

Não demorou muito para as pernas começarem a ter vida própria e os tombos se tornarem uma rotina.. a revolta por estar naquele programa incrívelmente ordinário ao invés de um buteco tomando uma gelada tomou conta da minha alma. Nesse momento já não tinha mais cabeça para conversar em inglês.. ao contrário disso, comecei a praguejar uma série de xingamentos (em português é claro.. rs) principalmente contra aquelas duas vacas.. que não prestavam nem pra iluminar a merda do caminho decentemente..

Com o tempo, o cansaço faz com que você acredite que aquilo tudo é um pesadelo.. e que logo você vai acordar e ver que tudo aquilo era bobagem.. mas aí você pisa em uma pedra molhada e se espatifa no chão, fazendo com que você volte para a miserável realidade..

Após 7 horas de caminhada, uma dezena de tombos e algumas centenas de palavrões, chegamos ao maldito topo do vulcão. E o que encontramos lá? MERDA nenhuma!! Nem mesmo dava para ver que era um vulcão!! Ou seja, passamos a madrugada em claro.. com frio, fome e sede por NADA!!! Só uma ventania sem fim.. um frio congelante e uma vontade imensa de pular lá de cima e encurtar a viagem de volta.. rsrs não demoramos mais que 10 minutos lá em cima.. a sensação era que realmente íamos morrer de frio ou sermos arrastados pelo vento..

Uma das retardadas começou a descer antes de todos (companheirismo zero né) e a outra estava na esperança de conseguir tirar algumas fotos.. meu amigo e eu pegamos a mochila de uma delas que havia ficado pra trás e iniciamos a decida também. Era preciso nos movimentar para não congelarmos. Aí vem aquela realidade: serão nada mais nada menos que 15 Km de descida..

A chuva não parava.. pelo contrário, estava mais forte do que nunca. A retardada que saiu na frente sumiu.. e a outra retardada que ficou pra trás não aparecia! Estava ventando tanto que comecei a imaginar que ela pudesse ter sido arrastada para o penhasco (confesso que no auge da minha revolta nem iria ficar triste por isso.. rs). Porém o que me deixava mais puto é que aquela vaca não aparecia para que pudéssemos devolver sua mochila e seguir viagem tranquilos..

O único fato positivo era que agora podíamos enxergar o caminho.. e após 6 horas de descida chegamos à entrada do parque novamente. Como desgraça pouca é bobagem, ainda tivemos que pagar 5 doletas por estar usufruindo daquele magnífico vulcão de merda!!

Após tudo isso, ficaram duas certezas: 1. não duvidarei mais dos meus instintos; 2. nunca participarei de um programa que envolva mais que 1 km de caminhada, ainda mais acompanhado de duas retardadas.. =)

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4 Responses to The “fucking” volcano

  1. Fábio... disse:

    Primão… bela idéia de fazer o blog. Você tem várias histórias e “causos” para contar…

    Muito boa essa aventura. Que furada… aposto que foi na esperança de pegar as gringas e pelo visto ficou no 0x0, ou melhor, saiu no prejuízo.. huahuahuahua… 15 km de ída…huahauhauahua… 15 km de volta… huahuahuahauha.. frio pra cacete… huahauhauahua… sem água e sem comida… huahuahauhauha.. sifu…sifu…sifu… huahauhauhauha…

    É isso aí confie nos seus instintos…

  2. ZedaSilva disse:

    Fala Sério Gio…. 15 km… vc não andaria isso tudo, no escuro, com chuva, e ainda prá cima!…. agora conta o outro lado da história… teve alguma erupção no vulcão das americanas ? kkkk

  3. Alexsandro disse:

    Ficar atrás de Rabo de Saia só dá nisso mesmo.

  4. Marina disse:

    Concordo! Aposto que só topou ir pq queria pegar uma das gringas! Catcher!!!! 🙂

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