A sola do sapato

10/08/2009

Pobre é uma coisa engraçada. Quando você pensa que não tem como piorar, ele te surpreende..

Devia ter por volta de 11 anos nessa época. Nem preciso dizer que não tinha dinheiro pra nada. A “mesada” era a conta de uma coxinha e um suco de copinho na cantina do colégio e olhe lá.

Era um fim-de-semana como outro qualquer. Aquele marasmo de sempre, até que minhã irmã sugeriu que fossemos passear no Shopping Cidade (o pior de BH na época) no sábado à noite. Pra mim aquele já era o melhor evento do fim-de-semana.

Estávamos quase terminando os preparativos para o passeio quando um afilhado do meu pai surgiu “do nada” para passar o fim-de-semana em nossa casa. Ele tinha a mesma idade que eu mas era lerdo demais. Se pedisse a ele pra tomar conta de duas tartarugas, uma fugia e a outra passava a mão na bunda dele. Sinceramente, era uma verdadeira “ponta de aterro”. Pensamos até em desistir do passeio por conta disso, mas como todo brasileiro, não desistimos nunca.

Pegamos o busão (ele foi com a gente é claro) para o centro da cidade. Eu vestido com a “roupa da missa” e meu sapato novo (que minha mãe devia ter comprado de uma amiga dela que tinha um brechó). O sapato era ordinário. Preto e brilhante igual uma bola de sinuca, com uma sola de borracha enorme, que era praticamente a metade do sapato. Por ser um presente da minha mãe (que tinha a melhor das intenções) não podia reclamar. O único ponto positivo era ficar uns 8 cm mais alto usando ele.. 🙂

Chegamos ao shopping. Após bater perna por entre os corredores resolvemos parar pra comer alguma coisa. Confesso que na época eu era extremamente pirraçento. Quando cismava que queria uma coisa nada no mundo me fazia mudar de idéia. Eu queria comer um sanduba e minha irmã, sabendo que ia ficar mais caro por conta do “ponta de aterro” que estava com a gente, tentou me persuadir a aceitar comer uma porção de batatas, pois sairia mais barato para nós três. Bati o pé que não aceitava mas ela era foda, como estava com o dinheiro disse que se eu não comesse a porção não ia comer nada.

Não comi a merda da porção de fritas.

Estava morto de fome mas meu orgulho estava acima disso. Fiquei sentado na mesa vendo o retardado do afilhado do meu pai empurrando um monte de batatas pra dentro e ainda por cima comendo de boca aberta. Era a visão do inferno. Resisti bravamente à tentação e não cedi. Só pensava em chegar logo em casa e pedir à minha mãe para fritar umas batatas só pra mim.

Depois de se empanturrarem de tanto comer batata, fomos embora.

Já era noite mas o centro da cidade ainda estava bem movimentado. Foi aí que meu querido sapato brilhante (estilo Michael Jackson) resolveu acabar de ferrar meu sábado.

Incrível como pobre adora atravessar a rua quando o sinal já abriu para os carros. No cruzamento da Av. Amazonas com a Rua São Paulo, resolvemos dar um “pique” para atravessar a rua e o desgraçado do sapato simplesmente soltou a sola bem no meio do cruzamento. Qualquer ser humano racional deixaria aquela merda de sola pra trás e terminaria de atravessar a rua em segurança para depois voltar para buscá-la. Mas quem disse que pobre é racional? Se fossem, todos já teriam se matado ha muito tempo..

Como eu também era do grupo dos irracionais, decidi voltar pra pegar o cacete da sola do sapato na mesma hora. Em meio a faróis, buzinas e sons de frenagens bruscas dos carros (sou doido pra saber o tanto que me xingaram aquele dia), estava eu agachado no meio da rua tentando “salvar” a maldita sola.

Por sorte não aconteceu nada demais. Cheguei do outro lado da rua onde minha irmã, após passado o susto, estava quase rolando no chão de tanto rir junto com aquele retardado que estava com a gente.

Sem perder a pose, coloquei a sola na cintura da calça e saí caminhando tranquilamente, mancando no estilo “tá fundo, tá raso”, já que meu pé esquerdo estava 8 cm mais alto que o direito..

Pensam que termina por aí? Claaaaaaro que não.. ainda tem mais..

Chegando em casa mal humorado e morrendo de fome, fui logo pedir à minha mãe que fizesse batatas fritas, pois confesso que fiquei morrendo de vontade depois de assistir os dois destruindo aquela porção.

Sentei na mesa da cozinha enquanto ela preparava as batatas. Estava puto com aquilo tudo e doido pra comer as batatas logo. Assim que minha mãe colocou o prato com as batatas na minha frente quem apareceu? Chuta? O RETARDADO do afilhado do meu pai querendo “filar” as minhas batatas!

Inacreditável. Além de lerdo, “ponta de aterro” e retardado, ele não tinha fundo!

ps: fiquei 2 meses sem comer batata depois desse episódio.

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O lerdão e a ventania

05/08/2009

O fato a seguir aconteceu em São João da Serra-MG alguns anos atrás…

São João da Serra é um lugarejo com pouco mais de 3oo casas (é mais fácil contar as casas do que a população em si). Fica a 50 Km de Juiz de Fora. É a terra natal da minha mãe e um verdadeiro celeiro de casos engraçadíssimos que tive a honra de vivenciar nas inúmeras férias que passei por lá…

Era o mês de julho.. e havia uma festa em um lugarejo que ficava a 3 Km de lá, chamado Usina. No interior é assim: sempre que tem alguma festinha em um lugar todos da região vão pra lá. E nesse dia não foi diferente. A rapaziada toda da Serra desceu pra Usina para tomar uma cervejinha e apreciar o movimento…

Entre os moradores da Serra, temos verdadeiras “figuras”. Uma delas é o Rato Branco (acho que o nome verdadeiro é Luis, mas não tenho certeza). Ele é o responsável por eternizar a frase “esse é o famoso lerdão”, toda vez que alguém comete algum vacilo.

Ele é o tipo de pessoa que não sofre com ressaca, pois está sempre bêbado. E sem dúvida alguma não perderia por nada a festinha na Usina…

Chegando lá ele não perdeu tempo. Começou a chapar uma “cana” atrás da outra. Preferia assim, pois gastava pouco e o efeito era quase imediato. Não demorou muito já estava dando “azia” querendo voltar pra Serra.. tentando animar alguém a dar uma carona pra ele. Como ninguém deu muito confiança, pois a festa estava apenas começando, ele resolveu ir a pé mesmo.

É um caminho tranquilo.. uma estradinha de terra que só levava pra um lugar. Não teria como ele errar o caminho. E assim ele foi.. cambaleando um pouco mas com o mínimo de consciência para chegar em casa. Rapidamente ele sumiu na escuridão da estrada..

A festa continuava normalmente.. e para a surpresa de todos depois de meia hora o Rato apareceu de novo.

Com cara de espanto, ele chegou até a gente e indagou: “uai lerdão, ocês já chegaram na Serra?”. Não tinha como segurar o riso.. a gente disse que nem tínhamos saído do lugar.. que estávamos na Usina ainda..

Ele estava inconformado. Dizia que a gente estava fazendo hora com a cara dele. Ficou pensativo tentando entender o que aconteceu. Depois de muito esforço veio uma luz na sua mente e ele se recordou do que podia ter saído errado: a hora que parou para acender o cigarro.

No meio do caminho ele decidiu parar para fumar um pouco. Na escuridão total tentava sem sucesso acender o cigarro com o isqueiro. Como havia dito, era mês de julho, e o vento não deixava o cigarro acender. Na tentativa de conter o vento um pouco, ele foi se virando de costas, dobrando um pouco os ombros, quase encostando o isqueiro no peito. Conseguiu acender o cigarro, mas nesse movimento todo ele girou 180 graus. Sem perceber, já que estava no escuro e bêbado igual uma porca, quando continuou a caminhada voltou pelo caminho que já havia percorrido, voltando pra onde tinha saído.. rs

Parece mentira, mas esse fato só reforça o tese de que cigarro na ventania não dá muito certo.. =)


Cada doido tem sua mania…

04/08/2009

… e a mania do nosso protagonista em questão era roubar calcinhas. É isso mesmo. Sei que parece estranho, mas é a pura verdade.

São João da Serra-MG é um lugar pequeno. Com as casas típicas de cidade do interior: quintais grandes e muros baixos. Não raramente os moradores criam galinhas e porcos em suas casas. Até aí tudo bem, mas esse cenário era muito propício para que o nosso amigo “Chico” realizasse suas estranhas manias.

Ele era morador do lugarejo e tinha um estranho hábito: aproveitava da falta de preocupação dos moradores com segurança para pular os muros das casas e “surrupiar” as calcinhas das moças que ficavam penduradas nos varais. Após o delito, guardava as mesmas dentro do forno de um fogão velho em sua casa.

Tinha uma verdadeira coleção delas. De todas as cores e formatos. Creio eu que só o cantor Vando poderia ter uma coleção de calcinhas como a dele. 🙂

Apesar do Chico ter esse fetiche no mínimo incomum, acredito que ele não seja o único a ter feito uma coisa dessas. Mas, num belo dia, ele se superou. Conseguiu realizar uma proeza que, sem dúvida alguma, dificilmente algúem no planeta tenha feito algo parecido.

Era um final de tarde. Passando em frente a casa onde morava uma moça de quem ele gostava muito, notou que o varal estava repleto de roupas secando. Era uma bela casa, com um quintal enorme. Havia uma horta farta e uma criação de galinhas e porcos. Decidiu pular o muro e pegar uma calcinha que havia lhe chamado a atenção.

Já estava saindo quando percebeu um movimento dentro da casa e se escondeu dentro do chiqueiro. Esperou por uns instantes e viu que não tinha passado de um susto. Contudo, continuou dentro do chiqueiro.

Não sei exatamente o que aconteceu lá dentro depois disso. Só sei que o caseiro da casa, ao retornar depois de um tempo fora,  notou um movimento estranho e uns surruros chamando pelo nome da moça vindo de dentro do chiqueiro.

Deu um grito e, não acreditando na cena, viu uma porca saindo correndo de dentro do chiqueiro usando a calcinha que havia sido roubada pouco antes.. rsrs

Prefiro nem pensar no que o Chico devia estar fazendo dentro do chiqueiro.. =)

* O nome verdadeiro do cidadão foi omitido por razões óbvias.